A Casa da Ribeira encosta uma das paredes de granito ao rio Pavia, servindo de margem. O som da água a correr «inunda» o interior da antiga casa de lavoura. A força das águas fez outrora mover o moinho que contribuía para o processo de produção de azeite. Uma taberna, um ferreiro, uma habitação para estudantes foram algumas das utilizações do espaço que, agora, alberga a Fundação Casa Municipal de Artes e Tradições.

A visita faz-se ao sabor do visitante. Decidimos virar à esquerda a partir da recepção ao visitante, no fundo do corredor está a cestaria. Antes, paramos para olhar atentamente as flores de namorados e as quadras de amor expostas na parede. São coloridas e revelam o preciosismo com que na aldeia de Fragosela ainda se dobra, corta e cola o papel. Assim, de quadra em quadra, se chega à zona da cestaria. Garrafões de vidro forrados com cana, cestas de diversos tamanhos e feitos, estão expostos, mas também à venda.
A Casa da Ribeira é um projecto da Câmara Municipal de Viseu que tem por objectivo promover o artesanato da região e contribuir para a sustentabilidade dos artesãos, criando ali um ponto de venda e de trabalho. Por vezes, há artesãos a trabalhar ao vivo nas instalações. Deste modo, a autarquia dá ânimo a um espaço histórico da cidade.
De palha, silva e giesta, a cestaria revela os ofícios da região, sobretudo os cestos para transportar a uva em época de vindima. Na localidade de Nandufe, ainda hoje se continua a entrançar a cana, palha e outros materiais. Os cestos e canastras são na actualidade utilizados no dia nas gentes de Dão-Lafões, dando continuidade a uma tradição que, provavelmente, se manteve até ao presente devido ao isolamento de algumas das aldeias do concelho.
Ao lado da cestaria, uma janela espreita para o rio que corre. O local, formando uma depressão no leito, origina uma pequena queda de água. Retornamos à visita, retrocedendo, pelo corredor das flores dos namorados. Um tear está exposto. Tecem-se farrapos, dando origem a tapetes. Nesta ala da Casa da Ribeira é possível também conhecer a manta de levante, utilizada pelos lavradores. «As tecedeiras iludiam a pobreza dos materiais com desenhos executados com uma técnica de repuxado», conta um texto explicativo que acompanha cada secção da casa.
Junto ao tear, uma renda de bilros a meio da execução. A bordadeira hoje não está, mas deixa o trabalho para que o visitante curioso possa contemplar o preciosismo do ponto dado pelos bilros que escorregaram

pelos dedos da artesã. Num móvel expõe-se o trabalho final, ao lado de outros bordados de uma aldeia visiense: Tibaldinho. Pequenos pontos rematam buracos feitos no algodão, assim nascem os bordados da aldeia que conta com pouco mais de 400 habitantes.
O ferro forjado, a fazer lembrar a antiga ferraria que ali forjou muito ferro. Tenazes, candeeiros e tochas, recordando os tempos do herói local, Viriato, o chefe dos lusitanos decoram o recanto da casa. Terminamos na olaria. Uma roda de oleiro no centro dá a conhecer o instrumento de trabalho. Matéria-prima não há, apenas o trabalho final. A imagem que se guarda é da diversidade de formas e cores que o barro pode adquirir e que a sabedoria do Homem sabe imprimir.