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«Blogue do Minho» - Aproximar minhotos, emigrantes e os vizinhos galegos

Cultura, apontamentos históricos e etnográficos integram o «Blogue do Minho», assinado por um minhoto apostado em divulgar a sua terra. Carlos Gomes, um defensor de eventos mediáticos fora das capitais de distrito, faz na sua página a ponte entre o Minho, os emigrantes e os vizinhos galegos. Investigador, defende que o primeiro grupo folclórico português nasceu em Ponte de Lima.

Sara Pelicano; fotos - Blogue do Minho | segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

Falar sobre o Minho, região onde vive, é essencial para Carlos Gomes, uma necessidade que alimenta diariamente no «Blogue do Minho». «Desde há mais de três décadas que estou ligado à imprensa regional e também a associações regionalistas minhotas. A ideia de criar o “Blogue do Minho” resulta fundamentalmente dessa paixão pela imprensa, procurando tirar partido das vantagens que a Internet nos proporciona, nomeadamente a possibilidade de produzir a informação quase em tempo real e sem os custos inerentes à impressão gráfica», conta o autor do blogue criado em Outubro de 2011.

A ideia de Carlos Gomes é partilhar com os leitores informações sobre os eventos que «ocorrem pelos mais variados concelhos minhotos», mas também o que acontece além fronteiras «entre as nossas comunidades de emigrantes». Esbater distâncias é um dos objectivos de Carlos Gomes, por isso também procura colocar conteúdos que aproximem o Minho e a Galiza, região espanhola com a qual a província portuguesa faz fronteira. Dou a conhecer as duas realidades culturais de um povo que possui uma origem comum e que a História quis mantê-los separados pela fronteira dos dois países peninsulares.

Os eventos que acontecem na região, diz Carlos Gomes, prendem-se «muitas vezes com as caraterísticas dos respectivos concelhos. A título de exemplo, a sua localização no interior ou junto ao mar determina o género de iniciativas que são levadas a cabo. Daí resulta que nalgumas localidades se organizam jornadas micológicas ou eventos gastronómicos, noutras a sua actividade centra-se no turismo balnear ou nas grandes romarias». Para Carlos Gomes, assim pode existir «um desenvolvimento mais harmonioso de toda a região e a preservação das identidades locais».

Os eventos mais relacionados com a identidade do território são positivos para Carlos Gomes. Contudo, o minhoto defende que também na sua terra deveriam acontecer eventos «de grande dimensão» que não deveriam ter lugar apenas «nas capitais de distrito». O autor do «Blogue do Minho» avança mesmo com uma sugestão: «Deveriam conjugar-se esforços entre as entidades de toda a região. Por exemplo, atendendo a que Lisboa é a porta de entrada da maior parte do turismo estrangeiro, poderia o Minho estabelecer aí uma representação a fim de encaminhar muitos visitantes para a nossa região, prestando serviços de vária ordem, incluindo reservas hoteleiras, programas de viagens e divulgação da gastronomia. O mesmo se passa em relação aos santuários existentes no Minho que poderiam dar-se a conhecer junto dos peregrinos que vão ao Santuário de Fátima, que é um dos principais pontos turísticos do nosso país».

Entre os cartazes de exposições, festivais gastronómicos, concertos, o autor publica algumas notas sobre os costumes da sua terra. «O “Blogue do Minho” procura complementar a divulgação de aspectos culturais com uma informação diversificada, dando a conhecer os eventos que ocorrem pelos mais variados concelhos minhotos e ainda entre as nossas comunidades de emigrantes», diz.

É assim que ficamos, por exemplo, a saber que o primeiro rancho folclórico terá nascido em Ponte de Lima. Carlos Gomes escreve assim: «Durante muito tempo, considerou-se o Rancho das Lavradeiras de Carreço, fundado em 1904, como o mais antigo agrupamento folclórico constituído em Portugal. Contudo, um documento que antecede em dez anos a fundação daquele grupo leva-nos a concluir que, até novas provas em contrário, foi em Ponte de Lima que pela primeira vez surgiu um grupo folclórico devidamente organizado e trajado. Com efeito, o jornal humorístico “O Sorvete” que se publicava no Porto, dava a conhecer na sua edição nº.123 de 4 de Setembro de 1892 a deslocação àquela cidade do Grupo de Lavradeiras de Ponte do Lima».

O minhoto confessa que desde a criação do blogue já descobriu alguns segredos da sua terra, sobretudo «em relação ao passado». E adianta que neste momento investiga as «marinhas de sal de Viana do Castelo e as actividades que normalmente lhe estão relacionadas. Do seu estudo podem inclusive retirar-se conclusões a nível etnográfico pois esta também foi terra de marnotos».

Paralelamente, Carlos Gomes debruça-se sobre a linha férrea do Vale do Lima, «projecto que nunca chegou a concretizar-se apesar da realização de algumas obras. Penso que este projecto poderia ser parcialmente recuperado com o estabelecimento do metro de superfície entre Viana do Castelo e Ponte de Lima, com vantagens turísticas e de mobilidade das populações».

A contabilizar em 150 a 300 visitas diárias, o «”Blogue do Minho” não se encerra em si mesmo, pelo contrário procura dar a conhecer e estimular outros blogues informativos e culturais que também contribuem para a divulgação do Minho, concretamente de vários concelhos minhotos. Estabelece permuta de links e outras formas de divulgação recíproca», afirma Carlos Gomes.
 

  

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