Projecto quer imortalizar um século de tradições orais em Trancoso
Há três anos nascia um projecto de animação de idosos que se transformou numa recolha oral dos saberes e costumes dos habitantes mais velhos do concelho de Trancoso. Fernando Jorge Santos Costa, Presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal Trancoso Eventos- TEGEC, pormenoriza ao Café Portugal esta aventura que promete salvaguardar as tradições da região.
Carla Santos | quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Tudo começou com a visita regular de duas animadoras da TEGEC aos cerca de quatro lares e dez centros de dias do concelho de Trancoso. À partida, o objectivo deste projecto era proporcionar o convívio entre as animadoras sociais e as pessoas que estão «praticamente inactivas e em idade avançada» explica o director que, cedo percebeu, o potencial da troca de experiências destas sessões nos lares e centros de dia. O projecto passa, então, segundo Fernando Jorge Santos Costa, a ambicionar o «registo e a recolha das tradições, conhecimentos e cultura deste povo, que também é o povo da Beira, mas de Trancoso acima de tudo».
Na presente fase, ainda não há recolha de informações. Há, primeiro, que ganhar a confiança dos mais idosos para, mais tarde, se poder partir para a gravação, fase da recolha oral das tradições de Trancoso. O director da empresa municipal explica que «as animadoras estão a participar, também elas, dando um pouco de si, contando histórias de recolhas feitas anteriormente, contos tradicionais, lengalengas e adivinhas». As monitoras são periodicamente acompanhadas por um músico, apoiando-as em canções tradicionais.
Fernando Jorge Santos Costa justifica a premência de iniciar a recolha das vivências através da gravação pelo facto de haver «pessoas com mais de 90 anos nos lares com capacidades e memória para nos contar coisas que se não recolhermos agora, daqui a cinco ou seis anos, não teremos oportunidade».
O estudo, resultado das conversas e memórias dos mais idosos, vai ser publicado mas não conta ter um fim lucrativo. O responsável pela empresa municipal vê a obra como um «subsídio para quem queira estudar a vivência do povo de Trancoso nos meados do século passado». Fernando Costa acredita que este projecto tem igualmente uma vertente «terapêutica» para os seus intervenientes: «serve para que as pessoas de mais idade sintam que ainda são úteis. Ao estar a contribuir com a sua vivência, sabem que estão também a construir a obra».