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Montalegre - «Fumeiro tem contribuido para fixar população no território»

De 26 a 29 de Janeiro, Montalegre volta a ser a capital do presunto, salpicão, fumeiro, sangueira, chouriço. A Feira do Fumeiro e do Presunto de Barroso que habitualmente atrai milhares de visitantes à vila transmontana, tem contribuído para manter vivos os campos, a produção de fumeiro. «Os jovens já se aperceberam que no fumeiro podem ter o seu próprio posto de trabalho», diz Orlando Alves, vice-presidente da Câmara Municipal.

Café Portugal | sábado, 21 de Janeiro de 2012

O certame é um «activo importantíssimo» para a região, diz Orlando Alves ao Café Portugal. O edil explica que existem cerca de «200 pequenos produtores de fumeiro. Empresas familiares que envolvem, cada uma, três a quatro pessoas».

Em Trás-os-Montes, esta actividade económica funciona em complementaridade com a agricultura porque «os animais abatidos para o fumeiro só podem ser alimentados com os produtos que a terra dá. As rações não entram na cadeia alimentar destes animais. Todo o processo de engorda é vigiado de perto e se for detectada alguma ração, esse produtor é excluído do certame», adianta o mesmo responsável.

Ao longo destes 21 anos de Feira do Fumeiro Montalegre modificou-se. «Fazer a primeira edição foi um acto de ousadia porque ir de localidade em localidade convidar os produtores a participar era audaz. As pessoas do Barroso tinham vergonha de vender. Chegámos a pagar a alguns jovens para ficarem nos pavilhões da feira porque os produtores tinham vergonha», diz orlando Alves.

O cenário hoje é diferente, quem dá a cara no momento da venda é quem também fez o salpicão, o presunto, o chouriço, a alheira entre outros produtos vendidos no Pavilhão Multiusos de Montalegre. «O que também mudou foi a média de idades dos produtores. Há 20 anos rondava os 65 anos, hoje está na casa dos 40».

Para Orlando Alves, «o certame tem contribuído para fixar população no território. O abandono da terra por parte dos jovens é o nosso maior drama. Penso que eles já se aperceberam que no fumeiro podem ter o seu próprio posto de trabalho». Além da fixação de população, o edil relembra ainda que «o facto de alimentar os porcos com produtos da terra obriga a que haja agricultura. Assim, os campos não ficam abandonados, entregues aos incêndios».

Junta-se o crescimento turístico. «Há 20 anos em Montalegre não havia um hotel. Hoje temos mais de 300 camas turísticas. Os restaurantes recuperaram para as suas ementas a gastronomia mais característica da região».

O programa da XXI Feira do Fumeiro e do Presunto de Barroso não foge em 2012 ao habitual elenco musical. Pelo recinto do certame desfilarão os cantares ao desafio, grupos de concertinas, fado. A finalizar os quatro dias de festa tem lugar uma chega de bois

  

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