Classificado como Reserva Natural desde 1975, o
Sapal de
Castro Marim (Algarve) já conheceu dias de degradação e abandono. Os terrenos foram utilizados durante anos para a agricultura e pastorício. A desvalorização desta actividade conduziu ao abandono dos terrenos áridos. O Observatório da Reserva Natural nasceu para voltar a dar vida a este recanto de Portugal e criou lagoas de águas salobras, bem como reservas de água vinda directamente do rio Guadiana. Estavam criadas as condições para dar abrigo a diversas espécies. No Inverno é fácil observar patos, garças, cegonhas, colhereiros e flamingos. Na Primavera a população de aves diminui, mas ainda assim alberga espécies que dependem exclusivamente deste habitat para nidificar. A andorinha-do-mar anã e de limícolas, o Perna-longa, o Borrelho-de-coleira-interrompida e o Alfaiate são alguns exemplos. Actualmente cinco vigilantes que fazem fiscalização e garantem a segurança e preservação desta biodiversidade.
Interpretar a natureza
De um antigo centro de lavoura, surgiu um Observatório da Natureza, que mantém algumas características da estrutura anterior. Existem dois espaços de exposição, um deles com um vector mais educacional, sendo palco de acções formativas com escolas. Um pequeno telescópio estrategicamente colocado frente a uma grande parede de vidro atrai os curiosos. A visão ganha alcance e a vida que atravessa o céu e descansa nas lagoas sente-se mais próxima. É pois possível observar o quotidiano das aves, a sua alimentação, reprodução e até mesmo as predadoras que sondam o terreno. No futuro, os ornitólogos vão poder proceder a anilhagem das aves. Uma actividade que consiste em colocar uma anilha no espécime, funcionando como um bilhete de informação. Neste documento vai constar, por exemplo, o habitat da ave, qual a espécie, do que se alimenta. A informação fica registada no Instituto da Conservação da Natureza e das Biodiversidade (ICNB) e sempre que o animal for capturado ou observado basta consultar o número de identificação da anilha e saber tudo sobre aquela ave. Deste modo também se traça a rota migratória.
Num Algarve, conhecido pelas praias e por um turismo de massas, cerca de 2000 hectares de sapal são um garante à biodiversidade da terra. Um local com 60 por cento de zonas húmidas. Desta percentagem 30 por cento são sapais e 28 por cento salinas. Uma zona que, embora seja propriedade privada, é muitas vezes invadida por olhares curiosos que desconhecem a influência que a sua presença tem num habitat frágil, sujeito às pressões de um litoral bastante povoado.