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Castro Marim - Histórias que se servem com Sal

O Guadiana corre para a foz onde se junta ao Atlântico. Perto a beneficiar de um ecossistema que beneficia deste encontro marítimo estão as salinas de Castro Marim. Neste recanto do sotavento algarvio, as histórias servem-se com sal, em tempos um dos principais sustentos da região.

Sara Pelicano | segunda-feira, 13 de Abril de 2009

A Primavera revela mudanças na Reserva Natural de Castro Marim, onde as salinas de inserem. Com a nova estação a actividade em torno do sal começa mais uma temporada. No ar, aves migram em busca de outros climas; outras chegam para gerarem as suas crias. Em terra, o marnoto, aquele que extrai o sal, limpa o lodo e as lamas das marinhas, repara os desgastes provocados pelas intempéries do Inverno e prepara as águas. Esta etapa decorre entre Março a Junho.

No Centro Interpretativo do Sapal de Castro Marim, uma exposição sobre a produção e extracção do sal explica que «a limpeza das marinhas é uma etapa de extrema importância porque permite a eliminação do lodo e lamas acumulados no Inverno e, consequentemente, uma rentabilização na quantidade e qualidade de sal recolhido posteriormente».

A preparação das águas ocupa os dias seguintes. Paciente, o Homem encaminha a água, proveniente do esteiro, para o tejo (viveiro de águas frias). Aqui permanece algum tempo a fim de diminuir a taxa de insolúveis da água através do processo de decantação. Após este repouso, o tempo é de deixar a água circular através de um sistema de viveiros ligados entre si por comportas e canais de ligação, a um ritmo controlado pelo marnoto. «Quanto maior o percurso percorrido pela água, maior será a sua concentração quando chegar aos cristalizadores e, mais depressa, será a cristalização nos talhos, rentabilizando, assim, a produção», lê-se na mesma exposição.

Marinha limpa, o tempo é de guardar água no tallho. De oito em oito horas, o marnoto permite a entrada de água. Uma tarefa que segue com sabedoria e ancestralidade. Por estas terras, a actividade do sal remontam ao século XIII antes de Cristo e aos fenícios. Este povo terá desenvolvido a produção de sal para a indústria de conserva de peixe através da salga em tanques.

No Verão, a extracção de sal
O calendário já marca Junho. O marnoto recorre ao rodo, instrumento de madeira, e com gestos antigos, que marcam a técnica de outros tempos, extrai o sal dos talhos e coloca-o nas barachas. Aqui permanece cerca de cinco dias ao sol, para perder o excesso de humidade. Os resquícios de água evaporaram-se e o cristal destas terras algarvias está pronto a ser armazenado e embalado. A primeira rasa está concluída. Durante o Verão podem acontecer três a cinco rasas.

Produto natural
O sal de Castro Marim é sujeito regularmente a teste de controlo de qualidade. Os resultados apontam para a produção de produto natural. «Puro, isento de metais pesados, resíduos de pesticidas e radioactividade, não necessitando de nenhum tratamento posterior, o que significa que não é sujeito a lavagens, não é refinado e não contém qualquer aditivo», assim se descreve o mineral que as águas do mar deixam ao evaporarem.

Recuperar da actividade
As salinas de castro marinenses estiveram perto do abandono. O processo apresentava-se aos mais novos como moroso e pouco rentável. Hoje, as salinas ganharam vida e devem-na ao sucesso da flor de sal, sobretudo enquanto produto gourmet. A exposição referida anteriormente explica o que é este refinado produto. «A água ao evaporar nos cristalizadores das salinas permite a formação de cristais de sal que se formam, inicialmente, à superfície da água e que se vão depositando, com o tempo, no fundo dos talhos; os cristais de sal que se formam à superfície da água constituem a Flor de Sal».

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